quinta-feira, 3 de julho de 2008

Para minhas duas mães

Estou bastante sensível hoje. E algo me fez lembrar de um filme que assisti no ano retrasado, numa segunda-feira, dia da semana, em que mais gosto de ir ao cinema, porque geralmente não há filas e é mais barato. Exceto nessa segunda-feira. Era feriado. Eu estava tão habituada a ir às segundas, que nem me dei conta que era um feriado, e que por consequência o cinema estaria lotado. (Obs: Odeio lugares muito lotados). Me irritei um pouco na fila, porque duas moças atrás de mim, que iam assitir o mesmo filme que eu (Sei que você está curioso, mas já direi de que filme estou falando), não sabiam a sinopse dele. Na verdade, foi um pouco engraçado, ver como elas, com certeza, não se tratavam de que tipo de filme estavam falando. Achavam que era uma comédia, algo meio pastelão. E eu calada, entre a fúria e a vontede de rir da cara delas. Depois de comprar o ingresso, mais uma fila, algo que numa segunda-feira normal, certamente não aconteceria. Depois de longos 15 minutos, entrei na sala de exibição, e quase perdi o começo do filme.
Imaginem, eu, que não estava nada contente por enfrentar, não uma, mas duas filas, como eu ficarria se perdesse o que considero como o mais importante de uma história, o começo. Talvez, você que está lendo isso agora, não entenda toda essa ira, por nada. Acontece que sou louca por cinema, e perder 10 segundos que seja de um filme, é um crime para mim, ainda mais se for um filme de Almodovar. Ops, falei antes da hora. Ah, mas já que deixei escapar, vou falar logo, que estou enrolando muito.
O filme em questão, é Volver (recomendo!!!!!!!!), lançado aqui no Brasil, no segundo semestre de 2006, com Penélope Cruz, Carmem Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo e Chus Lampreave. Neste filme, Almodóvar aborda a relação entre mulheres de uma mesma família. São três gerações que, de alguma forma, tiveram problemas com os homens. Almodóvar enfatiza a cumplicidade e o vínculo entre elas, sejam mães e filhas, irmãs ou vizinhas.
Mas, afinal o que este filme tem haver comigo? A história é toda mostrada pela ótica feminina, além do que fala da relação complicada entre filha, mãe e avó. Exatamente como minha família.
Há alguns anos atrás, eu costumava brincar que minha casa, era a CASA DAS SETE MULHERES. Nenhum homem. E numa casa onde há muitas mulheres e nenhum homem, as coisas são sempre muito passionais e intensas. Quando há alegria, é demasiada; quando há discussões, fecha o tempo, como dizem por aí.
Nós, as mulheres vamos as últimas quando amamos ou quando odiamos. Agora, o excesso de amor, não quer dizer, ausência de desentendimentos. Na verdade, pode ser um elemento forte para discussões. Afinal, sua mãe, quando criança, sua mãe é para você um espelho do que você quer ser quando crescer. E quando a imagem de perfeição dela, cai por terra, aparece aí, as rusgas. Como será a vida adulta de uma mulher, quando o maior exemplo de sua vida, mostra faces não muito admiráveis.
Percebi ao longo dos anos, que apesar de dizer muito pra mim e para as outras pessoas, que eu era o extremo oposto de minha mãe, que na verdade, eu era mesmo quase idêntica. E só consegui ver isso, em situações onde a vi fazer coisas onde minha reação foi ou seria a mesma que a dela. O que acontecia comigo, era que eu não gostaria de ser igual, por vergonha de admitir que errava, que fraquejava, mas, a verdade nua e crua, é que sou como ela. Somente faço escolhas que ela não fez. Corro atrás de oportunidades que ela não correu. Trilho caminhos que ela não percorreu. Mas, a essência é a mesma. Sou uma menina crescida, com medo da vida, mas, que luta para que amanhã seja melhor. E agradeço à ela, por seu meu espelho, do que é bom e do que ruim.

2 comentários:

Unknown disse...

Adorei o texto da Ju, e nele ela fala algo muito importante sobre a relacao familiar, em especial, filha, mae e avo. Sou fanzaca da minha mae e tambem procuro me espelhar nela, que realmente e a maior heroina da minha vida, no entanto, nesse processo de identificacao acabamos tambem herdando algumas caracteristicas que podem nos parecer boas, mas que ao longo de nossa vida acabam nos prejudicando, cabendo somente a nos transforma-las, porem muitas vezes nao e facil romper esses paradigmas e dar a volta por cima. Por esse motivo, Ju vc e e sempre sera uma vencedora, por somente escolher aquilo que e bom e fazer o seu proprio caminho, com sua propria essencia.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.